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BORIS PLANER - Como motivar as pessoas a sairem de casa

O desafio é dar aos consumidores motivos para se afastarem dos computadores, saírem e irem aos Centros Comerciais físicos

24/04/2019

É director da área de Go-To-Market Intelligence da Edge by Ascential (anteriormente Planet Retail RNG). É especialista em macroeconomia e tendências de mercado, tendo-se focado nas últimas duas décadas na identificação de oportunidades de mercado para retalhistas e outras marcas nos diferentes mercados, canais e categorias.

Quais as macro-tendências do retalho nos próximos 5 a 10 anos?

Como o mundo em que vivemos está a mudar, também a forma como as pessoas vivem e fazem compras vai mudar, assim como o modo como os retalhistas vendem e como os fornecedores trabalham com eles. Os principais factores a ter em mente para o futuro são: as pessoas serão mais velhas e mais pobres, viverão em casas mais pequenas e, na sua maioria, farão compras no bairro onde vivem. Vão utilizar os telemóveis a qualquer hora, o que muda a forma como vão descobrir novos produtos. Vão procurar novas experiências e estarão interessados nos valores das empresas, por este motivo deverão transmitir mensagens cada vez mais claras à medida que os períodos de atenção se tornam mais curtos. Tanto para vendedores como para os produtos, será cada vez mais difícil ser visível e relevante, e os retalhistas deverão investir em manter clientes leais para que estes se lembrem deles no momento da compra.

 

A que meios sociais deve a indústria dos centros comerciais prestar mais atenção?

Os centros comerciais devem estar onde os clientes decidem passar o tempo tanto na vida real como digital. A resposta de onde apostar nas redes sociais depende do público-alvo. A geração X e a geração Millennial utilizam muito o Facebook. Já para a geração Z existem outras redes mais importantes, como o Instagram, Pinterest e Snapshat.

 

Como pode a indústria dos centros comerciais adaptar-se a esta mudança?

O centro comercial do futuro deve estar perto dos consumidores e ser um espaço inspirador e atraente, uma vez que não será capaz de competir em preço com o online e com os descontos que lá se encontram. Os centros do futuro terão de deslumbrar e surpreender os clientes com ideias fora-da-caixa, que tornem o acto de ir às compras uma experiência em que as pessoas se sintam inspiradas e em que descubram coisas novas. Também será um centro de convívio para as pessoas passarem tempo juntas ou trabalharem, uma vez que o mercado de trabalho vai criar cada vez mais trabalhadores remotos sem mesa de escritório fixa.

As ofertas da área da alimentação também passarão a relacionar-se com o que está disponível nas outras lojas, de forma a criar um ciclo de descoberta e consumo fechado.

Os centros também terão de estar ligados digitalmente para que os compradores possam comprar online e depois levantarem os produtos em loja. Idealmente, isso levará a que passem mais tempo no local. Haverá ainda o serviço de entrega das compras ao domicílio para todos os retalhistas digitais.

 

O consumo digital vai matar o físico ou o caminho passa por se complementarem?

O digital não vai matar o físico, mas vai matar os vendedores físicos que façam um mau trabalho no dia-a-dia. Os vendedores e operadores dos centros comerciais precisam de aceitar que as preferências dos consumidores e as realidades económicas estão a mudar de uma forma muito fundamental e as receitas de sucesso do passado podem não vir a funcionar no futuro.

Os consumidores já não precisam de ir a um centro físico quando quase tudo está disponível online e, muitas vezes, mais barato. Portanto, o desafio é dar motivos aos consumidores para se afastarem dos computadores e saírem de casa. Os centros comerciais só vão conseguir alcançar isto se oferecerem uma experiência agradável que venha a gerar lealdade, recomendações de colegas e visitas sucessivas.

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